“Ainda tenho um professor que não consegui colocar”
Jornal Nordeste (JN) – No Agrupamento de Escolas de Freixo de Espada à Cinta o ano lectivo está já a decorrer dentro da normalidade ou há ainda algumas situações a causar constrangimentos?
Albertina Parra (AP) – Se este ano houve coisas que não decorreram na normalidade foi o arranque do ano lectivo. Nós fomos daquelas escolas muito faladas na comunicação social denominadas TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), que não tivemos professores durante muito tempo. São escolas que estão sob o olhar atento da Direcção Geral de Educação (DGE), porque não é um problema só da escola mas também tem a ver com as características sociais do meio onde a escola está inserida. Estas escolas são prioritárias e deviam ser efectivamente prioritárias e fomos as escolas no País todo mais desprezadas na colocação de professores. Eu passado um mês das aulas começarem ainda me faltavam nove professores, e estou a falar de disciplinas como Matemática, História, Inglês. Eu hoje ainda tenho um professor que não consegui colocar, é um horário de cinco horas de Francês, que ainda está a concurso, e estamos praticamente no final do primeiro período.
Só há cerca de 15 dias é que comecei a sentir a escola a funcionar em pleno, até lá fomos fazendo remendos.
JN – Em termos de assistentes operacionais, o Agrupamento tem os funcionários suficientes?
AP – Ter nunca temos. O nosso agrupamento está sob a alçada da Câmara Municipal, porque foi assinado um protocolo de transferência de competências entre o Ministério da Educação e a Câmara Municipal em 2008 e os funcionários são afectos ao quadro da Câmara Municipal. O nosso rácio neste momento diz-nos que nos faltam dois assistentes e a Câmara tem colmatado essa falha recorrendo a pessoas do Instituto de Emprego e Formação Profissional, que não é o ideal, porque a escola precisa de assistentes operacionais que saibam as funções que têm, que saibam o que estão a fazer, que tenham motivação para o cargo, que gostem de se relacionar com os alunos, porque nem toda a gente tem esse perfil e às vezes é difícil gerir as ofertas que nos são aqui colocadas.
JN – Freixo de Espada à Cinta é o concelho mais distante da capital de distrito. Aqui na vila os alunos têm as mesmas oportunidades do que numa cidade? O número de estudantes tem vindo a diminuir?
AP – Não têm as mesmas, só que têm oportunidades diferentes. Nós temos que nos preocupar em criar condições, em oferecer aos nossos alunos aquilo que sabemos de antemão que se não for a escola a oferecer eles não têm, por exemplo a nível cultural. Nós preocupamo-nos em levá-los ao teatro, vamos muitas vezes ao Teatro a Bragança com os nossos alunos, levamo-los ao Teatro de S. João, ao Porto. A cultura tem que ser muito presente na vida destes miúdos, porque se não for a escola oferecer muitos deles não sabem sequer do que estamos a falar.
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