“Encontrei a instituição com uma imagem um pouco desgastada e acinzentada”
Jornal Nordeste (JN) – Esta é uma residência com 45 anos, por onde passaram já diversos directores e residentes. Há 2 anos que dirige esta casa, o que é que encontrou e o que é que mudou desde então?
Evangelina Bonifácio (EB) – Encontrei uma realidade um pouco diferente do que imaginava e daquilo que se pode hoje observar. A nível físico, encontrei a instituição com uma imagem um pouco desgastada e acinzentada, não sei se por gosto, se por inércia. O ambiente estético, desde os elementos de decoração às cores, era, na minha opinião, pouco agradável. Por outro lado, julgo que devemos assegurar um ambiente confortável e agradável, mais adequado ao tempo actual. Fizeram-se pinturas para refrescar as paredes, alteraram-se apontamentos decorativos, retirando uns e introduzindo outros, construimos o passeio de acesso à entrada principal, comprámos camas novas, algumas loiças e substituímos o mobiliário da cozinha de madeira para inox, procurando responder às normas de certificação de HACCP. Este ano fizemos uma revisão aos telhados e a substituição total de dois deles. No que diz respeito ao funcionamento da instituição, também fui introduzindo diversas alterações tais como os horários de funcionamento e atendimento, pois, no meu entender, já não se adequavam à vida da instituição. O trabalho nunca está concluído, vamos satisfazendo as necessidades emergentes e sempre que podemos vamos um pouco mais além.
JN- Ainda estão a faltar algumas obras?
EB- Sim, certamente. Queremos mais e melhor, e nesse sentido, há ainda muito a fazer. Queremos continuar a substituir as camas e gostaríamos de substituir todas as caixilharias das portas e janelas. Isso seria o mais importante neste momento, não só por uma questão estética mas também porque o aquecimento se tornaria muito mais eficiente.
JN- Para quem não conhece, pode-nos explicar um pouco do funcionamento desta instituição?
EB- Somos uma instituição pública do Ministério da Educação, uma residência de estudantes dos ensinos básico e secundário. Acolhemos meninos e meninas que precisam de estar deslocados das suas terras, de forma a possibilitar a continuação de estudos. Vêm viver para a residência e nós tentamos fazer o seu acompanhamento, a nível social e escolar, estabelecendo boas relações de parceria com as escolas. O dia começa por volta das sete horas da manhã. Os residentes, normalmente almoçam nas respectivas escolas e fazem as restantes refeições do dia na residência. Existe uma distribuição de tarefas semanal e aqueles que têm tempo livre podem geri-lo, embora sujeitos a regras. A instituição encerra às 20h20m e só podem sair quando autorizados pelas famílias e com conhecimento da direcção. Temos uma hora de estudo que decorre entre as 20h30m e as 21h30m.
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