Associação quer perpetuar Caretos de Parada
A Associação dos Caretos de Parada, Bragança, já foi constituída legalmente, depois da assinatura da escritura pública. O grupo já promove actividades há cerca de 4 anos, com a participação em desfiles em Portugal e também fora do país, como Espanha, Itália e França.
Para Francisco Figueiredo, presidente da Associação, este é um passo importante para tornar o trabalho mais organizado e “uma forma de conseguir mais apoios, da Junta de Freguesia, da Câmara Municipal e de outras instituições e também de conseguir sócios”.
O Careto de Parada acompanha o Carro de Santo Estevão, que com os mordomos, o padre e o presidente de junta percorre a aldeia no dia 26 de Dezembro. O papel desta figura é afastar as pessoas e os entraves colocados pelo caminho, visto que por tradição o carro de bois, puxado pelos jovens da aldeia, não pode parar. O Careto tem ainda papel activo na Corrida da Rosca, desimpedido a pista de 100 metros, na qual se defrontam dois adversários.
Antes de a associação ter começado a desenvolver a sua actividade, já era difícil encontrar alguém disponível para usar o traje de lã colorido e a máscara de lata pintada de vermelho e preto do Careto de Parada, e o ritual corria o risco de se perder. Hoje em dia, 14 pessoas dão vida à figura pagã e o grupo inclui mesmo três mulheres.
Cláudia Rei é uma delas. Para a jovem de 32 anos, de Parada, que há três anos começou a acompanhar o grupo envergando o fato e máscara de Careto, esta é uma evolução natural. “Porque não mulheres, não é? É indiferente. Toda a gente fica um bocado reticente, mas a aceitação acaba por ser boa. As pessoas ficam surpreendidas, é só isso”, explica.