“Direcção Nacional não nos apoia nem com uma grama de arroz”
Em entrevista ao Jornal NORDESTE confessa que a delegação de Bragança é autónoma administrativa e financeiramente, sobrevivendo das iniciativas locais, donativos, quotas dos sócios, apoios de instituições nacionais e do distrito e também dos serviços prestados pela própria Cruz Vermelha na área da Saúde.
Jornal NORDESTE (JN)- A Cruz Vermelha está representada em Bragança há 36 anos, qual a evolução da instituição?
Fernando Freixo (FF) – A delegação de Bragança foi criada em 1978, sendo presidida pelo senhor Tenente Coronel José António Furtado Montanha. A instituição foi evoluindo, esteve instalada em vários locais da cidade de Bragança, até que foi construído o novo edifício, inaugurado a 22 de maio de 2004. A actual direcção, à qual tenho a honra de presidir, tomou posse no dia 21 de Setembro de 2012.
JN- Que tipo de apoio presta actualmente?
FF- Actualmente, apoiamos cerca de 150 famílias, essencialmente, em alimentos, roupas e cuidados de Saúde. Não prestamos auxílio em dinheiro, a não ser muito pontualmente, porque não temos verbas. Não há qualquer verba, quer da direcção nacional, quer adquiridas a nível local, que nos permitam prestar esse tipo de apoio. A direcção nacional não nos apoia nem numa grama de arroz, nem num cêntimo. No que respeita a roupa temos o nosso armazém carregado de roupa, quem precisar de roupa que venha ter connosco. É raro o dia em que não vem uma família inscrever-se. A satisfação que temos ao final do dia é saber que apoiamos mais famílias…
JN- E que tipo de apoios tem a própria delegação de Bragança, que permitam a sua sobrevivência?
FF- Os alimentos que distribuímos provêm dos peditórios que fazemos a nível nacional, como é o caso da Missão Sorriso. Por exemplo, nas últimas duas campanhas desta iniciativa, angariámos cerca de quatro toneladas de alimentos. Organizamos também iniciativas locais com o apoio de várias entidades do distrito, como é o caso da Associação Recreativa Ambientalista de Caça e Pesca de Alfaião com a qual temos feito, desde há três anos, um almoço que conjuga a parte lúdica da pesca com a parte solidária. Temos tido também o apoio do Banco Alimentar contra a Fome que no ano passado nos forneceu 6,5 toneladas de alimentos e este ano já nos forneceu 4 toneladas. Estamos a apoiar também o banco alimentar de Braga na distribuição de fruta a cerca de 60 IPSS’s do distrito, com o apoio da Cáritas, da ASMAB e da Câmara Municipal. Já distribuímos cerca de 90 toneladas de fruta, resultante dos excedentes de fruta para a Rússia. Temos também alguns donativos. Organizamos também jogos de futsal solidários. É assim que vamos vivendo, com dificuldades… Somos autónomos administrativa e financeiramente. Isto não chega para as necessidades mas, de facto, dá-nos um bom alento e um grande apoio.
JN- Quais os serviços que a instituição presta, que permitem também angariar fundos?
Prestamos serviços de enfermagem na delegação e ao domicílio, serviços médicos de Ortopedia, Clínica Geral e Cirurgia. Fazemos cursos de socorrismo e prestamos também ajudas técnicas em material ortopédico. Estes são os principais pontos de angariação de receitas, além das quotas dos nossos sócios. Temos cerca de 1100 sócios inscritos mas apenas cerca de 500 pagam as suas quotas. Aproveito para apelar aos sócios que façam o pagamento das suas quotas porque nós sobrevivemos desse pagamento. É apenas 1 euro por mês e o nosso cartão permite-lhes ter descontos em 35 empresas com as quais temos protocolos, de várias áreas, desde a Saúde até, por exemplo, aos combustíveis.
JN-O edifício da delegação da Cruz Vermelha de Bragança está a precisar de obras?
FF- Sim. Estamos a precisar de obras de manutenção, fundamentalmente no exterior. Há uma série de brechas que estão a abrir. Vamos pedir ajuda a empresas locais de materiais de construção e também concorrer a um concurso promovido pela Habinordeste que apoia obras em instituições, até 5 mil euros.