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Lavandeira recorda produção tradicional de azeite

Lavandeira recorda produção tradicional de azeite
  • 9 de Abril de 2015, 23:09

Na freguesia de Lavandeira, no concelho Carrazeda de Ansiães, foi inaugurado, no passado sábado, o Núcleo Museológico do Azeite, que constitui o primeiro núcleo territorial do Museu da Memória Rural, sediado em Vilarinho da Castanheira.
O espaço nasceu num antigo lagar artesanal, que fechou no final da década de 70. O edifício em ruínas no centro da aldeia foi recuperado, tal como os objectos que serviram durante muitos anos para produzir o líquido dourado, com o objectivo de perpetuar as memórias da produção tradicional de azeite.
A inauguração foi um dia de festa na aldeia que serviu para recordar um processo que muitos viram desenrolar de perto.
No centro do lagar está um moinho, que foi durante décadas utilizado para esmagar a azeitona ao ser puxado pela força de dois bois durante cerca de duas horas. Depois disso, o fabrico de azeite continuava na prensa.
Orlando Cabral chegou a levar a sua azeitona para ser transformada ainda na década de 70. O habitante de Lavandeira recorda os passos que a azeitona seguia desde que ali chegava até colher o seu azeite.
“Andavam os bois aqui de volta a puxar, isto moía, andava uma pessoa aqui com a pá a chegar a azeitona para dentro. E depois de estar bem moída passavam-na numas gamelas para aqueles capachos para a prensa. Punhavam uns sobre os outros e tiravam água a ferver do pote que tinha sempre lume debaixo e a azeitona era bem escaldada e depois era espremida”, lembra.
O aparelho era manobrado por “um ou dois homens, que rodavam uma alavanca” e assim conseguiam espremer o sumo a partir da pasta.
O processo que se seguia chegou a ser da responsabilidade de Luís Reis, de 85 anos. Em dois tesouros o azeite era filtrado com ajuda de água, o que exigia muita atenção.

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