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Pé diabético: Prevenir lesões para evitar amputações

Pé diabético: Prevenir lesões para evitar amputações
  • 21 de Julho de 2015, 09:18

Em Portugal 12,4 por cento da população tem diabetes, sendo o país da Europa Ocidental com maior prevalência desta doença, considerada a epidemia do século XXI. O pé diabético é uma complicação que advém da diabetes e ocorre quando uma área lesionada ou infecionada dos pés desenvolve uma úlcera (ferida). A vigilância é a melhor forma de prevenir esta doença. O Olho Clínico explica os cuidados que as pessoas com diabetes devem ter com os pés.
Sendo o pé diabético uma complicação “silenciosa”, muitas vezes é descurada pelas pessoas com diabetes diagnosticada. A prevenção é a palavra de ordem para evitar complicações nos pés, que, que em casos extremos, podem levar à amputação de dedos e até dos membros inferiores, quando a infeção evolui de forma generalizada e há risco de afetar outras parte do corpo.
No Olho Clínico, a podologista Rosa Costa, a especialista em Medicina Geral e Familiar Manuela Fernandes e a Enfermeira Adelaide Afonso, da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, deixam conselhos a quem é diabético para evitar problemas nos pés.
Nem todas as pessoas com diabetes diagnosticada têm o chamado pé diabético. Ainda assim, todas as pessoas com esta patologia devem estar atentos aos sinais e qualquer alteração nos pés deve ser transmitida ao médico de família.
A podologista Rosa Costa explica que um pé diabético pode ser neuropático, ou seja um pé sem sensibilidade, ou neuroesquémico, um pé com problemas de circulação.
Por isso, para quem é diabético, ter um pé deformado, com joanetes, com dedos em garra, calosidades e unhas encravadas, é motivo de preocupação. “Uma simples unha encravada é uma complicação num pé diabético. Pode dar origem a uma úlcera/ferida que demora meses a curar”, explica Rosa Costa.
Na ULS do Nordeste, uma equipa constituída por médico, enfermeiro e podologista desenvolve a sua atividade ao nível da prevenção, diagnóstico e tratamento das lesões do pé diabético.

Ajuda médica
Procurar ajuda médica sempre que seja detetada uma alteração no pé é fundamental para tratar problemas numa fase inicial. Mas isto nem sempre acontece. Rosa Costa confessa que muitas vezes as pessoas com diabetes não procuram os serviços de saúde quando têm, por exemplo, uma unha encravada, porque não dói. “Só vêm quando o pé está muito inchado. Se as situações chegam logo no início é muito mais fácil tratar”, alerta a especialista.
Os sinais da doença são detetados, na maioria dos casos, nas consultas de Medicina Geral e Familiar (MGF), e é o médico de família que encaminha os casos de pé diabético para a especialidade de Podologia. A especialista em MGF, Manuela Fernandes, alerta que, para tratar problemas do pé diabético, é essencial controlar a diabetes.
A vigilância do pé é outra das recomendações da especialista. “Todo o diabético deve ir vigiando o seu pé, pedir ao médico e à enfermeira para, anualmente, fazer os testes de sensibilidade ao pé e verificar se o pé é suficientemente irrigado”, aconselha Manuela Fernandes.
A clínica afirma que a prevenção “implica um papel ativo” da parte do utente e da própria família. “Nas doenças crónicas, como é o caso da diabetes, é importante a compreensão e o acompanhamento da família, porque é neles que está uma grande parte da eficácia do tratamento. Os cuidados de higiene, a medicação a tempo e horas, a dieta, tudo isso é fundamental”, realça a especialista.

Higiene e calçado
O número de casos de pé diabético tem diminuído no distrito de Bragança, fruto da sensibilização feita pelos profissionais de Saúde da ULS do Nordeste. “Já são as pessoas que nos procuram para lhe ver os pés, coisa que não faziam antes, porque o pé era muitas vezes considerado um órgão inferior”, salienta a enfermeira Adelaide Afonso.
Usar os utensílios de corte das unhas de forma adequada, utilizar limas para arranjar as unhas e não utilizar pedra-pomes em pés diabéticos são também conselhos deixados pelas especialistas, para evitar lesões difíceis de tratar.
A par da higienização dos pés, que consiste em lavar e secar bem os pés e colocar creme hidratante, as profissionais de saúde alertam para a necessidade de utilizar calçado adequado, que deve ter a largura do pé, ser alto na zona dos dedos, apertar com cordão ou velcro e ter o tamanho certo para o pé.
“Não nos podemos esquecer que andamos um dia inteiro em cima dos pés. São eles que nos levam onde queremos ir. Quando eles nos falham, falha-nos tudo”, alerta a enfermeira Adelaide Afonso.

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