Região

Em cada voto nas próximas legislativas, decide-se o futuro de um País

  • 1 de Setembro de 2015, 12:01

Muito me honra ocupar o segundo lugar na lista do Partido Socialista no Distrito de Bragança, encabeçada pelo ex-Governador Civil de Bragança e atual Secretário Nacional do PS, Jorge Gomes. Respeitando o período que antecede as eleições legislativas de 4 de outubro, este é o último artigo que escrevo. Julgo existir fundamento para, por questões de ética, suspender a minha participação neste espaço de opinião.

A palavra «ética» enquadra-se no domínio do caráter, dos valores em que acreditamos, seja qual for o tempo ou espaço. Acredito que é assim que deve ser. Infelizmente, nem todos conferem a este valor o peso que deve ter, e a realidade dita-nos que a sua importância é menosprezada, demasiadas vezes ausente da prática de alguns políticos. Os comentadores políticos mais mediáticos, na maioria militantes do PSD, aproveitarão este período de campanha para influenciar a decisão dos leitores, ouvintes ou telespetadores, sem direito a contraditório. Os governantes irão desdobrar-se em ações de campanha, mascaradas de visitas essenciais aos projetos desenvolvidos durante a legislatura. Este tempo transforma-se (como todos assistimos) num verdadeiro tempo de antena partidário. Serão usadas todas as oportunidades para enaltecer o atual Governo de coligação.

Apesar de «ninguém poder ser juiz em causa própria», os comentadores tornam-se especialmente críticos com a oposição e particularmente benevolentes com as políticas do poder. Quando existe, como todos sentimos, uma apatia generalizada, por vezes até repulsa pelas políticas e especialmente pelos políticos. É natural. O medo, a angústia das contas que não param de crescer com o brutal aumento de impostos, e, para muitas famílias, o início do novo ano letivo, constituem uma mistura explosiva que tende a orientar-nos para o facilitismo da desistência na hora de ir votar. Ora, esse sentimento de descrédito e imobilismo tem que ser contrariado e não pode tomar conta de nós. O pessimismo, o desânimo e o abatimento que se vive, devem ser combatidos com todas as nossas forças em busca de uma nova esperança em políticas sólidas e rigorosas, de cariz social e focadas nas pessoas.

O nosso distrito vem sendo palco de visitas governamentais, com objetivos puramente eleitorais. Por todos os concelhos, vêm Ministros e Secretários de Estado em passeio, tecendo loas ao trabalho desenvolvido, que a maior parte das vezes, emperrou em questões burocráticas ou simplesmente falta de verbas durante os últimos 4 anos, ou inaugurando equipamentos que já funcionam há mais de um ano. Sem dinheiro para o dia-a-dia, as direções das várias instituições, muitas de cariz social e de apoio a crianças e jovens com necessidades especiais, a idosos e aos mais carenciados, empenham-se para conseguir mais um acordo e um ou outro empréstimo bancário, a título pessoal. Estes sim, dão por amor a um projeto e às pessoas, sem o propósito de receber nada em troca a não ser manter com dignidade as instituições e honrar compromissos assumidos. Trata-se da excelência da participação cívica, muitas vezes subvalorizada, mas com uma importância fulcral na organização das nossas freguesias e concelhos. Sem eles, os anos de governação da coligação teriam sido, seguramente, bem mais severos para todos nós.

Por tudo isto, no próximo dia 4 de outubro, é essencial ir votar nas eleições legislativas. Votar é um direito mas também uma obrigação. Um dever que deve ser assumido por todos. Estas eleições não são iguais a tantas outras de um passado próximo. São determinantes para o destino de Portugal, para o futuro dos nossos filhos. Queremos ver crescer um país mais justo e, verdadeiramente, desenvolvido, onde todos, sem exceção, possam viver com qualidade. Para o nosso distrito queremos aquilo a que temos direito. Políticas ajustadas aos nossos territórios e ao crescente envelhecimento, que possam contrariar este ciclo doentio de emigração jovem. Por eles, pelo nosso distrito, por Portugal e por todos os Portugueses, no próximo dia 4 de outubro, vamos votar. Em cada voto nas próximas legislativas, decide-se o futuro de um País.

Por Júlia Rodrigues

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