Sociedade

Transportes de doentes demoram quase mais uma hora com troca de heli do INEM de Macedo

Transportes de doentes demoram quase mais uma hora com troca de heli do INEM de Macedo
  • 16 de Janeiro de 2024, 10:21

O helicóptero do INEM, sediado em Macedo de Cavaleiros, não pode aterrar em alguns heliportos, nomeadamente nos dos hospitais de Bragança, Mirandela e Massarelos, no Porto, usado para helitransportes para o Hospital de Santo António, naquela mesma cidade. A aeronave foi substituída, pelo INEM, e tem até mais autonomia, mas tem maiores dimensões, o que significa que estes heliportos não estão certificados para a sua aterragem. No dia 1 de Janeiro entrou em vigor o contrato entre o INEM e a Avincis, empresa que detém o contrato de operação dos helicópteros de emergência médica e, nessa data, foi alocado a Macedo este helicóptero que, até então, estava na base de Évora. A transferência aconteceu porque a Avincis entendeu colocar duas das bases do país, Évora e Viseu, a trabalhar apenas 12h, ao invés das 24 que, até ali, cumpriam. Desta feita, as duas que fazem serviço em permanência, a de Macedo de Cavaleiros e a de Loulé, ficam também responsáveis pela área não assegurada durante o período nocturno pelos helicópteros das outras bases. Toda esta situação está a potenciar algo que, de todo, não se queria, “brincar com a saúde da população”, segundo considera o presidente do Sindicato dos Profissionais da Aviação Civil, Tiago Lopes, uma vez que os tempos de transporte de doentes entre hospitais demora, agora, em alguns casos, bastante mais que o normal. Refira-se que, neste momento, uma transferência entre Bragança e o Porto demora mais 50 minutos do que o habitual e de Bragança para Vila Real demora mais 40 minutos. Uma entrega em Bragança, após um acidente grave, demora mais 20 minutos. “A população corre o risco de não ser socorrida devidamente. Por enquanto ainda não aconteceu nada, mas poderá implicar uma morte”, rematou, dizendo que depois será necessário, caso isso mesmo venha a acontecer, apurar culpas. “Alguém vai ter de assumir essa responsabilidade porque nós já alertámos para isso e não há a desculpa de que não sabiam. Estamos a brincar com o segurança da população, tudo com o dinheiro do Estado”, assinalou ainda. 80% dos doentes socorridos pelo helicóptero sediado em Macedo de Cavaleiros passam por Bragança e 90% dos transportes que têm como o destino o Porto são para Massarelos, dois dos heliportos onde a actual aeronave não pode aterrar. Agora, em Bragança, por exemplo, a aterragem tem de ser feita no aeródromo, que fica a cerca de 11 quilómetros da unidade hospitalar. O que Tiago Lopes não entende é que a empresa está a receber mais este ano e a prestar um serviço inferior. “Saiu do Conselho de Ministros que iria fazer este ajuste directo por seis milhões de euros porque o concurso foi muito em cima da hora. Mas esse ajuste directo tinha de manter os serviços do contrato actual da altura, que eram quatro helicópteros 24h. Agora a empresa recebe os seis milhões, como se estivesse a fazer um serviço a 100%, quando na realidade está a fazer um serviço a 75%. Ganha mais dinheiro e serve menos a população, isto tudo com o erário público”, lamentou. Segundo esclareceu ainda, conforme terá dito o presidente do INEM, quando abriu o concurso concorreram duas empresas mas quanto à outra que concorreu não sabe qual foi o desfecho.

Autarca de Bragança afirma que socorro está comprometido

O presidente da Câmara Municipal de Bragança não tem dúvidas de que não foi acautelado o socorro da população. Hernâni Dias mostrou-se preocupado com a situação, uma vez que a nova aeronave tem agora de aterrar no aeródromo da Bragança, a 11 Km do hospital da cidade, ficando “seriamente comprometido” o socorro. “O socorro deve ser garantido imediatamente quando há necessidade de o fazer e por isso é que se trata de um transporte aéreo, que é para chegar muito mais rápido aos locais. Neste caso concreto há, de facto, esta falha enorme porque sabemos que um segundo salva-vidas ou deixa que as vidas desapareçam”, afirmou. Segundo o autarca, foi pedido para o helicóptero aterrasse no estádio municipal, logo ao lado do hospital. No entanto, Hernâni Dias explicou que o estádio, no Inverno, “está completamente encharcado e qualquer aeronave vai enterrar-se completamente e vai provocar danos gravíssimos na infra-estrutura”, além de não ter “uma estrutura montada que permita abrir o estádio e ligar as luzes à noite para garantir a segurança da operação”. “Se o heliporto estava certificado para um helicóptero mais pequeno não permite que aterre lá um helicóptero maior que diremos de um estádio municipal que nunca teve certificação para nada. Se é por falta de certificação não faz sentido nenhum o argumento”, vincou. Depois de o Sindicato dos Profissionais da Aviação Civil ter alertado que, com esta situação, o tempo de transporte de doentes entre hospitais demore mais 50 minutos e pode mesmo resultar em mortes, o presidente da câmara de Bragança quer que seja encontrada uma solução rapidamente. “Eu não sou especialista nem tenho conhecimentos técnicos para a apontar uma solução, mas espero que haja alguma que garanta, pelo menos, o mesmo nível de socorro à população que já existia e que não fiquemos prejudicados”, concluiu. A juntar-se a isso, desde 1 de Janeiro, dois dos quatros helicópteros de emergência médica ao serviço do INEM passaram a operar apenas 12 horas por dia, quando antes o faziam 24 horas.

Foto: Rádio Onda Livre 

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