Sociedade

Câmara de Miranda do Douro vai exigir em tribunal pagamento dos impostos da venda das barragens

Câmara de Miranda do Douro vai exigir em tribunal pagamento dos impostos da venda das barragens
  • 29 de Novembro de 2022, 10:28

As seis albufeiras, Miranda do Douro, Picote, Bemposta, Baixo Sabor, Feiticeiro e Foz Tua, foram vendidas em 2020 por 2,2 mil milhões de euros. A venda não esteve sujeita ao pagamento do Imposto de Selo, no valor de 110 milhões de euros, nem de IMI e IMT. O município de Miranda do Douro vai avançar para tribunal, porque está “profundamente convencido que estes impostos são devidos” e diz ter documentos que o provam. “A AutoÂngela Pais ridade Tributária não fez rigorosamente nada para cobrar qualquer tipo de impostos neste negócio”, afirmou o vereador, Vítor Bernardo. A Autoridade Tributária avançou com uma investigação para perceber se se tinha sido cometido fraude fiscal e branqueamento de capitais, mas até agora não apresentou qualquer conclusão. “A AT o que devia ter feito e o que deve fazer é liquidar os impostos e a partir daí apresentar participar ao Ministério Público”, referiu. Posto isto, a câmara de Miranda do Douro vai interpor uma acção contra a Autoridade Tributária para a “obrigar judicialmente a inscrever os centros electroprodutores e os edifícios” que compõe as barragens, na matriz municipal, para depois os IMI ser tributado no território, como acontece com as moradias. A câmara já tinha tentando incluir as barragens de Miranda do Douro e Picote na matriz municipal, mas viu o pedido ser negado pela Autoridade Tributária, que “empurrou com a barriga” o problema para a Agência Portuguesa do Ambiente, que determinou que eram bens de domínio público e, por isso, não podiam ser inscritas na matriz municipal. “Nós achamos que são bens do domínio privado e achamos que a APA não tem competência, quer administrativa, quer legal, para dizer se são bens do domínio público ou privado. Essa competência é da Direcção Geral de Tesouro e Finanças, onde estará o sistema de informação de imóveis do Estado. E temos uma resposta da direcção geral a dizer que os bens não se encontram inscritos no inventário do Estado”, sublinhou Vítor Bernardo. O Ministério Público já está a investigar este negócio de venda e entende que a EDP e a Engie são suspeitas de fuga aos impostos. Segundo o acórdão do Tribunal de Relação de Lisboa, a empresa de energia portuguesa e o consórcio francês “prepararam, planearam e edificaram uma engenhosa construção jurídica”, através de “sucessivas operações de criação e fusão de empresas para dissimular o negócio de compra e venda” com “o único objectivo de não pagar ao Estado os impostos que lhe seriam devidos”.

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