Terapia da Fala corrige problemas de comunicação
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, através do serviço de Medicina Física e Reabilitação, disponibiliza apoio na área da Terapia da Fala à população do distrito de Bragança.
O Serviço de Medicina Física e Reabilitação (MFR) da ULS Nordeste envolve profissionais de três áreas: fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e terapeutas da fala. A Terapia da Fala, em destaque no Olho Clínico desta semana, tem uma intervenção a vários níveis e em diferentes faixas etárias, sempre que são diagnosticados problemas ao nível da comunicação.
Ana Rodrigues, coordenadora dos terapeutas do serviço de MFR, e Paula Nogueira, terapeuta da fala da ULS Nordeste, esclarecem os utentes sobre os sinais de alerta nas diferentes faixas etárias, tendo em conta que este é um problema que afeta desde recém-nascidos a adolescentes, adultos e idosos.
“Problemas de comunicação no âmbito da fala, da linguagem, fluência da voz e problemas de deglutição” devem ser tidos em conta, realça Paula Nogueira.
Estar atento
Os sinais de alerta podem surgir logo nos primeiros meses de vida. “O bebé vai começar a desenvolver quer compreensão, quer expressão, pela forma como recebe a informação pelo meio envolvente. A forma como interage com ele, através de sons diferenciados, choro diferenciado, pode-nos dar sinais de alguma alteração”, explica a terapeuta da fala.
À medida que as crianças vão crescendo, há outros sinais a ter em conta. “Por exemplo, uma criança que já está a articular palavras e que o seu discurso não é perceptível para os outros, está com uma barreira ao nível da comunicação. É sinal de que precisará de ajuda para corrigir alguns pormenores articulatórios para se fazer entender”, esclarece a profissional de saúde.
Paula Nogueira aconselha os pais a falar com o médico de família logo que se apercebam que a criança tem problemas a este nível. Depois de fazer uma primeira triagem, o médico de família faz o encaminhamento para a consulta de Fisiatria e, posteriormente, para a Terapia da Fala.
Rastreios aos 5 anos
Para detetar problemas numa fase precoce, terapeutas da ULS Nordeste fazem rastreios ao nível da Medicina Física e Reabilitação a crianças com cinco anos de idade nos jardins-de-infância do distrito de Bragança. “Deslocamo-nos aos jardins-de-infância, com uma abrangência distrital, em articulação com a Saúde Escolar. É feita uma avaliação ao nível da terapia da fala, fisioterapia e terapia ocupacional”, afirma Paula Nogueira.
O objetivo destes rastreios anuais é identificar alterações numa fase inicial. “Quando as crianças completam os cinco anos, a nível articulatório já têm os sons completamente adquiridos. Se nós fizermos uma avaliação nesse timing, vamos conseguir identificar aqueles que ainda não estão nesse patamar e vamos conseguir intervir a tempo da entrada no 1.º ciclo. Porque se deixamos uma criança ir com alterações de linguagem ou com uma articulação incorrecta para o 1.º ano, provavelmente a escrita e a leitura vão ficar afetadas e depois vamos ter um problema muito maior”, clarifica a terapeuta da fala.
Paula Nogueira acrescenta ainda que “a grande vantagem do rastreio é conseguir identificar as crianças com problemas numa fase inicial” e, ao mesmo tempo, “proporcionar a interação dos profissionais de saúde com os pais e com os educadores”.
Treinar a voz
São várias as áreas de atuação da Terapia da Fala. A par dos problemas ao nível da articulação dos sons, esta área clínica intervém também em situações em que está em causa o uso incorreto da linguagem. “A linguagem envolve a capacidade cognitiva que nos permite perceber as mensagens, adquirir os conceitos, saber o que as palavras significam, organizar as frases, descrever um acontecimento, tudo isto é muito complexo”, afirma a terapeuta da fala.
A voz, fundamental para profissionais que usam este instrumento como ferramenta de trabalho, é outro nível de intervenção da Terapia da Fala. “Ao nível da voz podem acontecer disfonias, que podem ter várias causas, quer a nível orgânico, quer a nível funcional. O que normalmente fazemos é corrigir os erros e ensinar a adotar comportamentos saudáveis e a usar a voz corretamente”, esclarece Paula Nogueira.
Estas correções podem ser feitas na idade adulta, ainda que seja mais fácil obter bons resultados quando a intervenção ao nível da terapia da fala é feita nos primeiros anos de vida.
“Aquilo que distingue um processo de intervenção numa criança de um processo de intervenção num adolescente ou num adulto é que é mais difícil de corrigir e depende muito da motivação. Mas com treino consegue perfeitamente”, realça a profissional de saúde da ULS Nordeste.
Reabilitar na doença
A Terapia da Fala tem, igualmente, um papel fundamental na recuperação de faculdades perdidas por motivos de doença, como por exemplo o AVC, com prevalência elevada no Nordeste Transmontano. “Esta doença pode provocar disartria (incapacidade de articular corretamente os sons), afasia (perturbação ao nível da linguagem) e desfagia (incapacidade de deglutição). A Terapia da Fala vai atuar ao nível da reabilitação, tendo em vista o aumento da funcionalidade”, refere Paula Nogueira, acrescentando que “é fundamental uma intervenção logo que o doente esteja clinicamente estável, para que a recuperação seja mais eficaz”.
Em alguns casos clínicos, a Terapia da Fala pode não resolver o problema na totalidade, mas assegura que os utentes ganham uma maior qualidade de vida.