Folar tradicional em Vilarinho de Agrochão
A duas semanas da Páscoa já cheira a folar no Nordeste Transmontano. Esta iguaria típica desta época festiva tem vindo a ganhar peso na economia da região com as tradicionais feiras que levam as populações a transformar centenas de quilos de farinha em folar. No passado fim-de-semana foi a vez de Vilarinho de Agrochão, no concelho de Macedo de Cavaleiros.
É preciso muita força de braços para confeccionar o folar. Isabel Sá começa logo pela manhã a meter as mãos na massa.
“Já parti os ovos, aqueci o azeite, agora estou a preparar o fermento ligeiro e o sal, já tenho a água quente e depois começa-se a amassar. Agora tem que se envolver a farinha e os ingredientes todos. Tem que se bater tudo bem batido para que os ovos fiquem bem desfeitos e as claras fiquem bem batidas. Quando estiver tudo envolvido fazem-se uma pilhas, cortamos a massa aos bocados para a enxugar melhor, depois assenta e cobrimo-la para levedar mais depressa”, descreve a habitante de Vilarinho de Agrochão.
Depois de a massa estar pronta fica a levedar durante cerca de uma hora e meia. Antes de ser colocada nas formas, untadas com azeite ou banha de porco, é altura de preparar as carnes. Maria Antónia Borges garante que é tudo caseiro.
“Partimos a pá do porco, salpicão e linguiça. Juntamos carne mais gorda e magra, que também dá sabor ao folar. Leva duas camadas de carne. Ponho uma camada de massa no fundo da forma e uma camada de carne, depois leva mais massa e mais carne. Fica mais recheado”, assegura.