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Celas recupera “Serra da Velha”

Celas recupera “Serra da Velha”
  • 20 de Março de 2015, 00:41

“A Serra da Velha” voltou a cumprir-se atrás da serra. Cerca de 30 anos sem honrar esta tradição que se perde no tempo, um grupo de amigos das aldeias de Celas, Mós de Celas, Negreda e S. Cibrão, localizadas na Serra da Nogueira, no concelho de Vinhais, reavivou-a no passado sábado. Este ano, foi em Celas, mas o objectivo é que passe a ser rotativo e que para o ano seja numa das outras aldeias da freguesia.
Associada à Quaresma, antigamente realizava-se numa quarta-feira, a meio deste período, que, para os católicos, está associado à morte e sofrimento. E nesta zona serrana, acresce ainda o longo e penoso Inverno. Acredita-se que, a meio da Quaresma, com o vislumbrar da Primavera, esta tradição de serrar as mulheres mais velhas solteiras ou viúvas e de casar as solteiras, poderia significar o renascer, a chegada de um tempo de luz, associado também à reprodução.
Antes de serrar a velha, fazem-se os casamentos. Dois homens, colocados em lugares estratégicos da aldeia, se possível em pontos altos, vão casando as mulheres solteiras. Falam através de um embude, um funil de ferro utilizado para filtrar o vinho, e casam as raparigas, na maioria dos casos, com quem elas menos esperam. Em verso, vão brincando com a vida de cada um dos noivos.
Lurdes Pires, de 58 anos, diz não levar a mal a brincadeira, mas conta que a sua avó, uma vez castigou os rapazes por a querem serrar. “ Uma vez a minha avó, atirou-lhe uma lapada [atirou-lhe uma pedra] e quebrou-lhe os dentes ao do embude. Eu não ficava chateada, levava na brincadeira. O meu marido também conta que, uma vez em Refoios, onde também faziam esta tradição, apareceram em casa dos pais as três noras, que correspondiam a ele e a dois irmãos, para tomarem café”, recorda a habitante de Mós de Celas.
Jéssica Frei, de 17 anos, assistiu pela primeira vez a esta tradição e considera importante mantê-la. “Quando me contaram do que se tratava esta tradição, apoiei e ajudei a recriá-la. É engraçado. Levar a mal não, mas depende com quem me casarem…”, confessa a jovem.

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