“Legionella não deve preocupar utentes do distrito de Bragança”
TERESA BATISTA
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Jornal Nordeste (JN) – O que é que é feito em termos de Saúde Pública no distrito de Bragança?
Inácia Rosa (IR) – Funciona como um observatório local de Saúde, recolhendo, analisando, interpretando e comunicando toda a informação relativa aos problemas de Saúde da sua população, bem como os determinantes que lhe estão associados, bem como valendo o impacto de várias intervenções em Saúde na saúde da população.
Uma outra área de intervenção é promover a vigilância epidemiológica das doenças transmissíveis e infecciosas, nomeadamente da tuberculose, doenças crónicas, como por exemplo a hipertensão e a diabetes, temos vários programas de Saúde Ambiental, monitoriza o programa nacional de vacinação e as doenças evitáveis por vacinação.
Uma outra área de actuação da Unidade de Saúde Pública é gerir e participar na execução dos programas de intervenção, no âmbito da prevenção, protecção e promoção da saúde da população em geral e de grupos específicos, por exemplo da saúde escolar, e promoção da saúde nos dois estabelecimentos prisionais do distrito, já estamos a trabalhar em Izeda e vamos começar este ano em Bragança.
Outro tema é elaborar os planos locais de saúde para a ULS, ouvindo todos os profissionais de saúde e a comunidade em geral, promover ou participar em projectos de investigação em Saúde, ultimamente temos um trabalho de investigação feito na área dos tumores da traqueia, brônquios e pulmões. Uma outra actividade é promover a participação na formação, com médicos internos, quer do ano comum, quer internos de especialidade.
JN – Qual é a área que mais preocupa a Saúde Pública no distrito de Bragança?
IR – Neste momento a área que mais nos preocupa é a parte da Autoridade de Saúde, porque só somos dois para um distrito muito extenso. Somos chamados sistematicamente, por exemplo na verificação de óbitos, e ir verificar um óbito a Freixo de Espada à Cinta é dose.
Tenho que referir que recentemente foram nomeados dois médicos de clínica geral como autoridades de saúde, mas temos que compreender que eles têm uma lista de utentes e não estão disponíveis para a actividade da autoridade de saúde. Eram precisos muitos mais.
JN – A Legionella faz parte de um dos programas de Saúde Pública do Nordeste e ultimamente têm vindo a público situações em que foi detectada a presença desta bactéria no Hospital de Bragança. Esta situação preocupa a Unidade de Saúde Pública do Nordeste?
IR – Neste caso eu vou dizer que não, porque o recente caso da Legionella na ULS só demonstra como a ULS funciona bem. Existe um programa de monitorização contínua, o que permitiu que esta bactéria fosse detectada antecipadamente sem que tivesse atingido qualquer utente da Unidade.
Por isso, as pessoas podem e devem ir com muita segurança à Unidade Local de Saúde, mais precisamente ao Hospital, porque de facto existe uma vigilância que agora é ainda mais apertada.
Não posso dizer que não aconteça, mas com a frequência com que se estão a fazer as análises é muito difícil que as pessoas corram alguns riscos.
JN – Também faz parte dos programas da Saúde Pública a vigilância da exposição ao fumo de tabaco em estabelecimentos de restauração e bebidas. Qual é a situação em termos regionais a este nível? Ainda se verifica uma elevada exposição ao fumo nestes estabelecimentos?
IR – Eu penso que a situação na região é idêntica a nível nacional. Após a saída da lei que proíbe o fumo em restaurantes e aí todos os restaurantes da região aderiram porque têm que cumprir a lei.
No caso dos cafés, inicialmente houve muitos que aderiram, mas como outros não aderiram e estavam a perder clientes, começaram a retirar o dístico.
Neste momento, esperamos que a lei seja alterada rapidamente e que se proíba o fumo em todos os espaços públicos.