População de Fontes Transbaceiro teme ficar sem igreja
Os habitantes da aldeia de Fontes Transbaceiro, no concelho de Bragança, temem pela sua segurança e pela perda do património religioso associado à igreja paroquial. O adro tem um buraco provocado pelo deslizamento de terras, que começou há pouco mais de um ano com a queda de uma parte do muro, e que aumenta a cada dia que passa.
Além de correr o risco de ruir a qualquer momento, também o interior do templo precisa de obras, o que não acontece há 58 anos. A humidade e as infiltrações de água provocaram danos nas paredes e no soalho. “Antes de pormos o telhado novo, tal foi a humidade, que nasceram cogumelos no altar de Nossa Senhora”, conta Maria da Conceição Ferreira, habitante da aldeia.
Ao longo dos últimos anos, a comissão fabriqueira, com o apoio do Município de Bragança, conseguiu fazer algumas obras mais urgentes, como o caso do telhado e a requalificação do adro. O objectivo era remodelar o interior do templo, mas a prioridade, agora, é refazer o muro, para evitar uma derrocada. Obras para as quais não têm verbas.
Pedro Ferreira, o juiz da comissão fabriqueira acredita que o desmoronamento de parte do muro pode ter origem no sistema de escoamento de água que não terá sido deixado nas melhores condições, na altura em que procedeu ao calcetamento do adro.“Houve um enchimento bastante acentuado na parte de trás da igreja para fazer com as águas corressem para a parte da frente. Na minha opinião, devido a isso, aos cilindros que circularam por aqui e ao abatimento da terra, poderá existir um problema estrutural”, refere Pedro Ferreira.
“Urgente preservar”
Já o pároco da aldeia, o padre Estevinho Pires, lamenta o estado em que se encontra este património religioso e espera sensibilizar as entidades competentes para que possam apoiar a obra. “É um património que é urgente preservar, em primeiro lugar, para que não deixemos afectar as estruturas do edifício, que estão em risco. O seu valor é, principalmente, sentimental mas tem alguma originalidade e alguma beleza. Há aqui peças únicas. Desde um relógio de corda, aos próprios altares, do século XVI e XVII, com talha nacional, um presépio com a sua maquineta e uma imagem-relicário de Santo António. São peças invulgares que mereciam a visita das pessoas e que merecem a sensibilidade de quem nos puder ajudar”, sublinha o pároco.
Também o presidente da Junta de Freguesia do Parâmio, à qual pertence Fontes Transbaceiro, reitera a necessidade destas obras, tendo já solicitado ajuda ao Município de Bragança. “Temos apelado à necessidade urgente da resolução do problema uma vez que pode mesmo ruir a própria igreja. Sabemos que, nesta altura, o dinheiro não é muito, mas é um património histórico que é de todo o interesse preservar”, salienta o autarca.
Por sua vez, o presidente do Município de Bragança, Hernâni Dias, garante que fará todos os possíveis para solucionar o problema e apoiar também as obras de restauro do interior da igreja. “Neste momento temos os serviços a avaliar a forma de reabilitar o muro e os custos associados a essa reabilitação e, dentro de pouco tempo, tomaremos uma decisão em relação à forma de resolver esse assunto, uma vez que coloca problemas de segurança”, assegura Hernâni Dias. A comissão fabriqueira já tem uma estimativa do custo das obras. A reconstrução do muro ronda os 25 mil euros e o restauro da igreja ultrapassará os 150 mil euros.