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“O volume de obras ronda os 10 milhões de euros”

“O volume de obras ronda os 10 milhões de euros”
  • 23 de Janeiro de 2015, 09:59

Jornal Nordeste (JN) – Que balanço faz da evolução da Santa Casa da Misericórdia de Bragança ao longo destes 23 anos?

Eleutério Alves (EA) – O balanço que eu faço é positivo. Acredito que a cidade, o concelho e o próprio distrito reconhecem a evolução da Santa Casa da Misericórdia de Bragança (SCMB) ao longo destes 16 anos em que eu estou como provedor. Há alguns dados que provam isso mesmo. Por exemplo, em 1994 a SCMB tinha 125 funcionários e cerca de 600 utentes, entre crianças e idosos. O orçamento anual rondava 1 milhão de euros. Actualmente, temos 1200 utentes a quem prestamos serviços diariamente, 350 trabalhadores e um orçamento a rondar os 7 milhões de euros.

JN- Esta é uma instituição com diferentes respostas sociais. Qual é a que tem mais e a que tem menos utentes?

EA- Nós temos praticamente todas as valências sociais. Falta-nos o apoio social na toxicodependência, por exemplo. A que tem mais utentes é a valência de apoio aos idosos. Temos 200 idosos em lar e mais 120 em apoio domiciliário. A que tem menos utentes, neste momento, é valência de apoio às mulheres vítimas de violência doméstica, com cinco utentes. Acredito que o apoio domiciliário será o serviço que vai ter mais procura num futuro próximo. È diferente do apoio prestado em lar porque o idoso não tem que sair do seu ambiente da sua casa, daí que tenha crescido. O nosso protocolo com a Segurança Social aumentou em mais 10 utentes recentemente, fruto dessa procura.

JN- Como está a situação nas valências destinadas às crianças? Teme que a baixa taxa de natalidade possa originar o encerramento das mesmas?

EA-Não digo que vá originar o encerramento mas está a diminuir bastante a frequência nas valências de pré-escolar e creche. Isso deve-se, não só à baixa taxa de natalidade, mas também ao facto de a Câmara Municipal ter criado estruturas de apoio nessa área e que são concorrentes com a rede solidária. A rede pré-escolar pública do Município retira procura por parte dos pais no âmbito da rede solidária. Primeiro, porque pagam menos e segundo, porque a procura que existe não é suficiente para a oferta.

JN-Quais os principais constrangimentos que tem na gestão desta instituição?

EA – Os constrangimentos desta instituição, como em muitas outras, prendem-se com a sustentabilidade. Na área da infância temos já uma dificuldade em garantir a sustentabilidade dos equipamentos, porque há uma diminuição bastante grande da frequência das crianças. Se isto fosse uma gestão empresarial, significaria despedir pessoas, mas temos procurado reconverter funções. Outra dificuldade que temos é o facto de haver muitas famílias que não têm capacidade para suportar os custos, quer com idosos, quer com crianças que estão na instituição, ficando em débito com milhares de euros anualmente, que muitas vezes fazem a diferença para suportar os custos da instituição.

JN – Que projectos que tem para a instituição? Confirma que há a possibilidade de um edifício onde está a funcionar um infantário da Santa Casa vir a transformar-se num restaurante da rede McDonald’s.

EA- Temos dois projectos para executar a curto prazo: a criação de um Centro de Noite e a requalificação de todos equipamentos da instituição, incluindo o Centro de Educação Especial, através da candidatura a fundos comunitários do Portugal 2020. O volume de obras que nos propomos poderá ultrapassar os 10 milhões de euros.
Quanto ao McDonald’s, esse edifício não é da Santa Casa da Misericórdia, é da Segurança Social. Qualquer negociação que possa existir terá de ser entre estas duas entidades que nos garantiram que, caso cheguem acordo, o equipamento não fechará portas enquanto outro não estiver aberto e a funcionar, no local que considerarmos mais adequado.

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