População incentivada a debater futuro da região
Chamar as populações à discussão sobre as soluções para as problemáticas que afectam os territórios de baixa densidade, é o objectivo do evento Interior 2.0, que, no passado dia 1, teve início em Alfândega da Fé.
A organização da iniciativa, que já vai na segunda edição, já abriu o debate à população. “A ideia é pegar numa discussão que normalmente está ligada a ciclos políticos ou em portas fechadas e trazê-la para a rua”, explica Ricardo Sousa, da promotora do projecto. O jovem empresário entende que, desta forma, se possa criar um sentimento de empenhamento “para que as pessoas, as empresas, os que cá vivem, os que viviam cá mas tiveram de sair, possam envolver-se na construção daquilo que são as soluções para os próximos anos nestas regiões”.
Até Abril vão realizar-se workshops, iniciativas nas escolas, uma campanha junto dos media e está já aberto um concurso de ideias na Internet.
Um dos participantes na iniciativa, Luís Ramos, professor universitário, identifica como o maior problema no interior o círculo vicioso que envolve “a perda de população, de actividades económicas, a redução do mercado local de emprego e de consumo”. De acordo com o também deputado da Assembleia da República, estes problemas “têm uma causa: a incapacidade de criar emprego à altura das expectativas e das necessidades da população mais jovem e qualificada”.
O Conselho Regional do Norte reuniu também neste dia em Alfândega da Fé, para discutir o futuro dos territórios de baixa densidade.
A autarca anfitriã, Berta Nunes, defendeu que a “CCDR-N necessita de desenvolver e afirmar uma série de políticas específicas para as regiões de baixa densidade, porque o território da zona norte é heterogéneo e não podemos ter política genérica para o Norte”.
A CCDR-N vai gerir cerca de 3,4 mil milhões de euros destinados para a região Norte, no âmbito do novo quadro de apoio comunitário.