Trabalhadores em vigília
Cerca de uma centena de pessoas concentraram-se ao final da tarde da passada quarta-feira à porta da Segurança Social de Bragança numa vigília solidária para com os funcionários que foram dispensados. Cinco docentes e 14 assistentes operacionais foram notificados que passaram ao quadro de excedentários.
Elza Figueiredo tem 35 anos de serviço na Segurança Social e é uma das visadas. “Sou uma das docentes visada. Entrei já no quadro de requalificação. Estou muito inconformada, estou com uma tristeza muito grande, porque acredito na Democracia e ela é pautada pelo respeito e quando deixa de haver respeito pelos trabalhadores acho que a Democracia se põe em causa. E todo este processo requeria o contacto com cada trabalhador, consideração, caso a caso”, confessa a docente.
E nem a chuva forte demoveu os trabalhadores solidários com os colegas. Carlos Canhota foi um deles. “Estamos aqui por uma questão de solidariedade com os colegas, hoje são eles, amanhã somos nós com o esvaziamento destes serviços”, afirma.
O PCP de Bragança associou-se à vigília dos funcionários da Segurança Social. “Isto vai implicar o desmantelamento de um serviço que é público numa região extremamente carente. Numa altura em que há degradação das condições económicas, das condições sociais e portanto há muito trabalho a fazer, não tem sentido que estes trabalhadores sejam dispensados”, salienta António Morais, dirigente do PCP.
Entretanto, o Grupo Parlamentar do PCP já requereu com carácter de urgência a presença do Ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social na Assembleia da República para prestar esclarecimentos sobre esta matéria.