Mulheres lideram em Freixo de Espada à Cinta
A sargento Cátia Costa é a primeira mulher a assumir o comando do Posto da GNR de Freixo de Espada à Cinta. Está na vila transmontana há cerca de um mês e meio e é mais uma mulher a assumir um cargo de chefia numa das instituições do concelho mais pequeno do distrito de Bragança, onde até há bem pouco tempo a maioria das instituições era liderada pelo ex-presidente da Câmara José Santos.
Ano após ano, a liderança das instituições tem vindo ser ocupada por elementos do sexo feminino. É o caso da Câmara Municipal, que é presidida por Maria do Céu Quintas, desde as últimas eleições autárquicas, a direcção do Centro de Saúde, da Santa Casa da Misericórdia e do Agrupamento de Escolas são também cargos ocupados por mulheres.
O caso mais recente é o comando da GNR de Freixo de Espada à Cinta. A sargento Cátia Costa chegou à vila transmontana a 7 de Outubro passado e encara com naturalidade o facto de ser uma militar a liderar o posto da GNR.
“Para a guarda e para todo o dispositivo é natural que os militares do sexo feminino ou masculino comandem postos. Para mim é a primeira experiência a comandar um posto e até agora está tudo a decorrer dentro da normalidade”, assegura Cátia Costa.
Depois de frequentar o 35.º curso de formação de sargentos, a militar teve oportunidade de integrar o Comando Distrital da GNR de Bragança, tendo sido colocada em Freixo.
Quando chegou à vila era a única mulher no posto, que conta, actualmente, com 19 elementos. “Nos meus quase 14 anos de instituição GNR a maior parte dos meus camaradas eram do sexo masculino, daí que eu esteja perfeitamente à vontade e já estava habituada na convivência sã entre todos os militares da guarda”, assegura Cátia Costa.
“Não me posso queixar de nada”
Entretanto, Freixo já recebeu mais uma militar do sexo feminino no posto.
Cátia Costa conta que notou alguma surpresa da parte da população. “É um meio pequeno é natural que as pessoas nos vão conhecendo. As pessoas são muito afáveis na rua, os senhores com mais idade, tiram o chapéu, são muito educados, e eu gosto muito de cá estar”, confessa a comandante do Posto da GNR de Freixo.
Cátia Costa entrou para a GNR em 2001. Desde então já passou por Mafra, Penafiel e Vila Real, onde está radicada, e onde chefiou o Núcleo de Investigação e de Apoio a Vítimas Específicas (NIAVE).
Agora comanda o Posto da GNR de Freixo, que serve cerca de 3800 pessoas, um concelho que é liderado por uma mulher.
Maria do Céu Quintas assumiu a presidência do Município nas eleições autárquicas de 2013. “Nunca senti uma dificuldade acrescida, muito pelo contrário acho que é muito bem aceite. E tanto foi que as pessoas votaram em mim, senão não o tinham feito. O relacionamento com as pessoas é óptimo, sentem-se à vontade comigo. Não há nada que eu possa dizer em relação a entraves pelo facto de ser mulher. Não me posso queixar de nada”, assegura a autarca.
Questionada sobre o aumento do número de mulheres a exercer cargos de chefia na vila, Maria do Céu Quintas não encontra uma explicação. “Não temos nada contra os homens a gerir, eu só acho que as mulheres têm mais bom senso, não agem por impulso, mas o que se passa aqui em Freixo não sei, mas acho que está muito bem assim, porque o caminho que o mundo leva será talvez serem as mulheres com cargos importantes”, defende a edil.
Na direcção do Agrupamento de Escolas de Freixo de Espada à Cinta encontramos também uma mulher. Albertina Parra ocupa o lugar de directora e anteriormente de presidente do conselho executivo há cerca de 12 anos. Garante que nunca sentiu “dificuldades acrescidas” por ser mulher, mas não tem dúvidas em dizer que as mulheres “têm que provar mais nos cargos que exercem do que os homens”.
Olhos postos nas mulheres de Freixo
“ Temos que provar que somos mais competentes, para conseguir determinados cargos. E por isso mesmo é que se vê que há muito poucas mulheres com carreiras. Isto também tem muito a ver com o facto de as mulheres terem paralelamente uma vida familiar, serem mães, serem esposas, portanto têm outras funções que normalmente os homens não têm, porque estão mais libertos dessas tarefas. Mas eu acho que as mulheres são muito competentes. Eu noto nas escolas que têm mulheres na liderança que há ali um traço feminino que marca a diferença”, confessa a professora.
Perante o número de mulheres a liderar instituições na vila, Albertina Parra confessa que é “uma coincidência”. “Eu sou a mais antiga, depois houve uma série de coincidências de cargos que foram sendo assumidos. Acho que foi o acaso que ditou isso”, confessa a directora do Agrupamento, acrescentando que esta situação dá a estas mulheres uma responsabilidade acrescida, porque “estão os olhos postos nas mulheres de Freixo”.
“Eu acho que temos que fazer qualquer coisa de diferente. Era bom que nós conseguíssemos ter um projecto comum para a comunidade, isso seria um bom exemplo das lideranças femininas. Alguns cargos também foram assumidos ainda há pouco tempo e ainda não nos sentámos todas à mesa. Mas pode ser que aconteça”, remata Albertina Parra.