Lixo e reacendimentos no Cachão
Mais de um ano depois do grande incêndio que deflagrou num armazém do complexo Agro-Industrial do Nordeste (AIN), no Cachão, os resíduos de plástico queimado permanecem no local. O lixo ainda não foi removido pelo proprietário e os reacendimentos são frequentes.
A situação deixa apreensivos vários empresários instalados na zona industrial e também os moradores, que se queixam de maus cheiros, do fumo e de insectos.
Ana Paula Pires, gerente da empresa Prodimontes, que detém um lagar no Cachão, afirma que o primeiro constrangimento causado pela situação “é o impacto visual”. “Os nossos clientes, quando se aproximam, perguntam sempre o que aconteceu ali. Neste momento, já começa a ser difícil de explicar, porque, ao fim de um ano, não podemos dizer que foi um incêndio e que ainda estão ali os restos”, explica a empresária.
Ana Paula Pires lamenta ainda os outros problemas ambientais, relativos à qualidade do ar, da água e às infiltrações no subsolo.
Normando Pereira, que tem um armazém ao lado do edifício que ardeu, está revoltado porque foi forçado a encerrar a sua indústria de extracção de óleo, depois de ter sido muito contestada e multada pela poluição.
O presidente do conselho da administração da AIN, que gere a zona industrial, afirma que foram tomadas “logo diligências no sentido de o proprietário retirar os resíduos”. Mas António Morgado considera que o dono da Mirapapel [José Policarpo] tem tido “uma atitude passiva” e “de gozo”. “O proprietário foi retirando como quis, tem retirado conforme entende. Ele diz que vai arranjar uma solução, mas não faz nada”, acusa o responsável pela administração, que desespera por uma resolução definitiva para os detritos.