Há cada vez mais interessados em apanhar cogumelos
Identificar as principais características dos fungos e desmistificar ideias da sabedoria popular, nas quais nem sempre se pode confiar, são alguns dos objectivos dos workshops de cogumelos, que com a chegada do Outono e o aparecimento de mais fungos, se multiplicam um pouco por todo o País e, em especial no Nordeste Transmontano.
O Jornal NORDESTE acompanhou o workshop organizado pelo Centro de Ciência Viva de Bragança, que reuniu, no passado no sábado, cerca de 30 pessoas na aldeia de Lagomar.
O orientador da actividade, Carlos Ventura, explica que há ideias sobre os cogumelos que não passam de mitos. “Existem falsas crenças como, por exemplo, o facto de terem anel ou não terem, de nascerem na erva ou nos troncos… Nada disso tem fundamentação. Temos que ir pelas características com base científica, e bem fundamentada. Esses mitos podem levar a certas intoxicações e graves acidentes”, sublinha o técnico da Associação Micológica Xixorra.
Perante milhares de espécies de cogumelos, os técnicos aconselham a recolher apenas aquelas que geram menos confusão com espécies tóxicas e quando se tem mesmo a certeza daquilo que se recolhe.
As espécies mais populares no Nordeste Transmontano são os cantarelos, mais conhecidos por “rapazinhos”, os boletos e os lactarius, também conhecidos por “pinheiras”, “sanchas” ou “níscaros”. “Estes são aqueles que as pessoas conhecem com mais confiança”, considera Carlos Ventura.
Outro dos cogumelos mais procurados é o Amanita Caesarea, também conhecido como Amanita dos Césares, “abesó” ou “rabiola”. Este fungo pode-se confundir com duas outras espécies da família dos amanitas, que são tóxicas e que, no caso do Amanita Phalloides, pode mesmo matar. O que distingue o Amanita Caesarea é o facto de ter “carne” amarela em vez de branca. O biólogo mostra-se preocupado com o facto desta espécie ser frequentemente recolhida na sua fase inicial, assemelhando-se a um ovo, o que não permite a libertação de esporos para a reprodução. “Na fase em que está fechado em ovo, estes cogumelos são procurados essencialmente pela ganância dos restaurantes espanhóis. Os olhos também comem e, de facto são mais tenrinhos”, lamenta o biólogo.