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Cinco quilómetros de cantão para preservar

Cinco quilómetros de cantão para preservar
  • 12 de Março de 2014, 12:21

Este era o dia-a-dia dos antigos cantoneiros, uma profissão que foi desaparecendo ao longo dos últimos anos.
Cada cantoneiro tinha a seu cargo a conservação e guarda de um cantão de estrada, normalmente de cinco quilómetros, mas podiam ser mais. Na aldeia de Vila Verde, no concelho de Vinhais, fomos encontrar dois cantoneiros já reformados.
Francisco Fernandes, de 70 anos, abraçou esta profissão durante três décadas. “Foram tempos de muito trabalho”, afirma. “Eu comecei em Tuizelo e a estrada ainda era em saibro, mas depois alcatroou-se e depois só já era limpar as valetas, roçar as bermas e tapar alguns buracos”, acrescenta.
O idoso salienta que “no início dava muito mais trabalho, porque tinha que arranjar a terra e apanhá-la com a carreta e espalhá-la, mas desde que se alcatroou já não era preciso nada disso”.
Depois mudou-se para Vila Verde, onde esteve a trabalhar dois anos na EN103. “Mas não tinha sítio certo, cheguei a andar por outros locais pois quando chegava o mês de Abril andávamos com as brigadas para onde era preciso”, refere.
Ajudou até na pavimentação da estrada entre o alto de Vilar de Ossos e Landedo. “Espalhei muito alcatrão debaixo de muito calor, porque este trabalho só se fazia no Verão, e aquilo estava a mais de 150 graus de temperatura e não tínhamos outro remédio senão aguentar o calor e o pó. Sujávamo-nos muito e às vezes íamos para comer a merenda e tínhamos as mãos todas sujas, limpávamo-las com gasolina e se não havia comíamos com elas sujas. Então a roupa nem se fala, usávamos um fato-macaco que ficava sempre cheio de alcatrão. Era a minha mulher que os lavava e quando chegava a casa dizia-me sempre para ter mais cuidado”, recorda.
Já no Inverno o trabalho era mais calmo, “tínhamos de tirar a terra que caía para a estrada, cortar a água e limpar as valetas”. Para este trabalho diário utilizava “a enxada, o engaço, pá, picareta, foice, roçadoura, que levávamos numa carreta e deixávamo-la, escondida, mas ainda me roubaram duas”, conta.

Reportagem para ler na íntegra na edição impressa ou pdf e para ouvir 5ª feira na Rádio Brigantia, após as notícias das 17:00 horas no programa “Terra Batida”

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